os diários dessa década não encontro
só encontrei alguns dos últimos tempos em porto alegre:1980
meio insuportáveis, eu tinha uma paixão burra por um poeta
eu era uma moça estúpida que complicava o amor e não sabia o que fazer do meu 1.74 m de mulher.
eu não sabia onde colocar o desejo [obrigado caetano], muito menos expor meu desejo: eu quero!
[aliás, mudei pouco nesse quesito...].
sobre as cartas : não consegui lê-las, ainda.
é muita viagem abrir essas gavetas.
o poeta que eu amava tinha uns versos sobre isso, sobre procurar cartas e fantasmas nas gavetas.
ele escrevia poemas e eu os ilustrava [aquarelas, claro!] e enviava anonimamente.
eu vivi mesmo isso? nossa, medo.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
anotações meio doidas sobre palestra de sérgio sant'anna (junho de 89, leblon)
[é o que ouvi e anotei. versão livre de uma fala do sérgio. maravilhoso sérgio. sem garantia de fidedignidade]
Em principio seria para falar de Senhorita Simpson.
Percurso de uma geração.
O que leva uma pessoa a escrever.
Estou com 47 anos. Olho para trás.
Ver a vida.
Retorno.
Com Senhorita Simpson começamos a misturar com geração 68, quando a gente.
Resistência política + percepção estética nova.
Falhou: realismo socialista brasileiro.
Reproduzimos no seu discurso artístico a linguagem do poder.
[até hoje estes escritores se entendem com os generais]
A revolução deles não era a minha
queria viver uma nova realidade
que não era do romance regionalista de 1930
Eramos pessoas que queriam viver a vida.
Apesar de toda repressão era uma época muito libertária em termos pessoais e artísticos.
Zero, do Loyola, rompia com tudo.
Os anos 60 foram tesantes.
Uma nova política terá necessariamente que passar por uma nova linguagem.
Sobre Ralfo: romance de um cara que não sabe escrever romance.
Escrevi bebendo Oswald de Andrade.
Relação falhas/intensidade
Se pintou na sua cabeça com muita força, faça! O resultado a gente vê depois.
Minha literatura está muito ligada as artes plásticas.
Equacionar o universo de uma forma nova.
Como Bob Wilson (teatro).
Qual será a liberdade da década de 90?
*****
Senhorita Simpson. O pai sou eu. O filho é mais André. [dito para mim depois da palestra].
Em principio seria para falar de Senhorita Simpson.
Percurso de uma geração.
O que leva uma pessoa a escrever.
Estou com 47 anos. Olho para trás.
Ver a vida.
Retorno.
Com Senhorita Simpson começamos a misturar com geração 68, quando a gente.
Resistência política + percepção estética nova.
Falhou: realismo socialista brasileiro.
Reproduzimos no seu discurso artístico a linguagem do poder.
[até hoje estes escritores se entendem com os generais]
A revolução deles não era a minha
queria viver uma nova realidade
que não era do romance regionalista de 1930
Eramos pessoas que queriam viver a vida.
Apesar de toda repressão era uma época muito libertária em termos pessoais e artísticos.
Zero, do Loyola, rompia com tudo.
Os anos 60 foram tesantes.
Uma nova política terá necessariamente que passar por uma nova linguagem.
Sobre Ralfo: romance de um cara que não sabe escrever romance.
Escrevi bebendo Oswald de Andrade.
Relação falhas/intensidade
Se pintou na sua cabeça com muita força, faça! O resultado a gente vê depois.
Minha literatura está muito ligada as artes plásticas.
Equacionar o universo de uma forma nova.
Como Bob Wilson (teatro).
Qual será a liberdade da década de 90?
*****
Senhorita Simpson. O pai sou eu. O filho é mais André. [dito para mim depois da palestra].
quarta-feira, 8 de junho de 2011
passagem por brasília em dezembro de 92
como em campo grande
um copo quebrado
o restante foi diferente
o que sobrou de juventude
e violência, o que
faltou de proximidade,
al revés
mas não é bem isso, a vida
de uma mulher
um copo quebrado
o restante foi diferente
o que sobrou de juventude
e violência, o que
faltou de proximidade,
al revés
mas não é bem isso, a vida
de uma mulher
terça-feira, 7 de junho de 2011
no sul, em outubro de 1984
agua tônica no ocidente
perdendo gatinho blue
moet chandon na boite gay
trazendo ninguém
solidão? bobagens meu amor
lugar errado hora errada
pessoas tortas
ou pequeninhas
..........................
caracol: outra vida, mais uma delas.
perdendo gatinho blue
moet chandon na boite gay
trazendo ninguém
solidão? bobagens meu amor
lugar errado hora errada
pessoas tortas
ou pequeninhas
..........................
caracol: outra vida, mais uma delas.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Esperando Josef Kanaan no Largo do Machado em junho de 1989
21/06/1989
[noite, saindo do IBRAPSI, em Botafogo]
vou pro Estação
depois, vou pegar Kanaan na saída do alemão
ou vou para casa
porque não existe um lugar legal aqui nessa cidade onde eu possa sentar sozinha
e não há táxi que me leve para Santa em paz, sem negociar, sem conversas
acho que sinto falta da tal individualidade que o Da Matta proclama ter encontrado em Notre Dame
............
fui andando até o Estação
não me aproximei do bar
li cartazes
li trechos do Diário de V. Woolf.
vim pro Largo
.......
em frente ao curso de alemão
tem um cara meio morto na calçada
um birosca de cachorro quente
entre nós
foi embora,
uma ambulância
vermelha, enorme, levou
talvez não esteja morto
na livraria
entre títulos e orelhas
cruzam palavras no ar:
facada, morte
(e risos).
................
um casal atravessa a rua
ela, gordinha, de jogging de usar em casa
ele, bermuda, casaco de camuflagem, chinelo adidas e cabelo raspado
vêm reclamar pro PM que uns caras estavam dando uma de polícia
pra cima de uns pivetes que estavam cheirando alguma coisa na esquinaEditar postagens
a mulher dá um esporro
sai dando a última palavra "isso é uma vergonha!"
(típico de mulher)
o guarda traga com força a bagana de cigarro e dá de ombros
conversa com um coroa sentado no canteiro (provavelmente bicheiro)
...............
saem do prédio uns garotões (será musculação?)
um fica,
ao lado de uma moto
sai uma menina
bonitinha, com uma pasta, caretinha,
anti-estilo garotão
diz: "achei que você não ia me esperar" ou algo assim
(ele está com ar de desculpas)
dali a pouco ela passa,
sem óculos,
rindo sozinha,
irradiando
olho para o garotão, que sai arrancando com força, sobre um pedestre:
estava com aquela cara dura
de papelão
que tem os garotões cariocas
não tocados pelas musas
[noite, saindo do IBRAPSI, em Botafogo]
vou pro Estação
depois, vou pegar Kanaan na saída do alemão
ou vou para casa
porque não existe um lugar legal aqui nessa cidade onde eu possa sentar sozinha
e não há táxi que me leve para Santa em paz, sem negociar, sem conversas
acho que sinto falta da tal individualidade que o Da Matta proclama ter encontrado em Notre Dame
............
fui andando até o Estação
não me aproximei do bar
li cartazes
li trechos do Diário de V. Woolf.
vim pro Largo
.......
em frente ao curso de alemão
tem um cara meio morto na calçada
um birosca de cachorro quente
entre nós
foi embora,
uma ambulância
vermelha, enorme, levou
talvez não esteja morto
na livraria
entre títulos e orelhas
cruzam palavras no ar:
facada, morte
(e risos).
................
um casal atravessa a rua
ela, gordinha, de jogging de usar em casa
ele, bermuda, casaco de camuflagem, chinelo adidas e cabelo raspado
vêm reclamar pro PM que uns caras estavam dando uma de polícia
pra cima de uns pivetes que estavam cheirando alguma coisa na esquinaEditar postagens
a mulher dá um esporro
sai dando a última palavra "isso é uma vergonha!"
(típico de mulher)
o guarda traga com força a bagana de cigarro e dá de ombros
conversa com um coroa sentado no canteiro (provavelmente bicheiro)
...............
saem do prédio uns garotões (será musculação?)
um fica,
ao lado de uma moto
sai uma menina
bonitinha, com uma pasta, caretinha,
anti-estilo garotão
diz: "achei que você não ia me esperar" ou algo assim
(ele está com ar de desculpas)
dali a pouco ela passa,
sem óculos,
rindo sozinha,
irradiando
olho para o garotão, que sai arrancando com força, sobre um pedestre:
estava com aquela cara dura
de papelão
que tem os garotões cariocas
não tocados pelas musas
sábado, 18 de dezembro de 2010
Conversa na Cultura
Hoje saí com meu-amigo-átila. Nesses tempos de confraternizaçoes de fim de ano, barulhentas e etilicas, fizemos a nossa. Perambular entre livros, tomar café, conversar. Pela enesima vez perguntei porque ele não escrevia um livro sobre os anos em que viveu no Japao. Ele disse que pensou em fazer um blogg. Seus diários intercalados com as cartas dos amigos. Genial.
Na verdade, acho que chegamos no assunto porque vimos uma mulher tatuada e nos perguntamos por que nunca tivemos o desejo de nos tatuar. As respostas foram entre "porque nao tinha (e sigo nao tendo) certezas" e "porque nao precisava tatuar pra provar ou fixar um amor ou uma grande amizade". Mas tinhamos as cartas e os diários. As cartas e os diários sim fixavam algo. Escrever era algo importante para nós. Escrever bem, refletir, criar.
Ou seja, Atilinha, o blogg existe, voce nele!
Na verdade, acho que chegamos no assunto porque vimos uma mulher tatuada e nos perguntamos por que nunca tivemos o desejo de nos tatuar. As respostas foram entre "porque nao tinha (e sigo nao tendo) certezas" e "porque nao precisava tatuar pra provar ou fixar um amor ou uma grande amizade". Mas tinhamos as cartas e os diários. As cartas e os diários sim fixavam algo. Escrever era algo importante para nós. Escrever bem, refletir, criar.
Ou seja, Atilinha, o blogg existe, voce nele!
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
era uma vez
guardo as cartas, as fotos e os diários dos anos setenta em porto alegre.
quem sabe um dia nao recebo uma bolsa para escrever sobre?
os anos passam, as cartas ficaram, a bolsa nao veio.
recebo para escrever sobre leis, temas socias, assuntos internacionais, antropologia, migracoes, prostituiçao, tráfico de pessoas.
ninguém quer saber de cartas e diários.
eu sim!
as cartas nao sao mais escritas.
e eram tao lindas as cartas.
do conteudo a forma, desenhos, beijos, colagens.
a felicidade de abrir a caixa do correio e encontrá-las.
o tempo das cartas. tempo para escrever, reler, enviar, esperar a resposta.
embora alguns amigos fizessem cópias das cartas que enviavam (tô falando de voce, zé),
o lance era escrever, mandar e se perder.
a carta deixava de ser sua pra ser do outro.
nunca vi, mas os romances falavam em casai que brigavam e devolviam as cartas.
eu nao, nunca devolvi.
guardo nas caixas.
e os diários?
eram intimos. guardados a sete chaves.
eu escrevia para registrar a vida e as emoçoes.
mas também porque gostava de escrever e reler.
tenho dezenas, desde os 13 anos.
escrevi bastante até meu filho nascer, em 1996.
aos cinquenta anos, começo a pensar que o destino de tudo isso seja o lixo.
em momentos poliana, imagino uma neta ou bisneta que encontre as ciaxas da bisa e diga: que massa!
mas depois penso que nao.
ja vi mortes e desaparecimentos das memórias.
por indiferença ou nao querer sofrer lembrando, lá se vao os rastros.
entao resolvi escrever aqui aslgumas lembranças dos setenta que foram dez.
como na musica do bebeto alves.
ele e caio fernando abreu fizeram os anos setenta acontecer.
quando tudo era pra ser ditadura, marxismo, dor e repressao,
eles pautaram a vida, o prazer, a criaçao.
junto com ricky bols, nei lisboa, nei duclós, eduardo san martim, rose porto alegre, negra lú, magra jane, giba rocha, e muitos mais que surgirao nessas paginas.
serei discreta em relaçao a nomes.
mas quem quiser entrar na roda, pode entrar.
quem sabe um dia nao recebo uma bolsa para escrever sobre?
os anos passam, as cartas ficaram, a bolsa nao veio.
recebo para escrever sobre leis, temas socias, assuntos internacionais, antropologia, migracoes, prostituiçao, tráfico de pessoas.
ninguém quer saber de cartas e diários.
eu sim!
as cartas nao sao mais escritas.
e eram tao lindas as cartas.
do conteudo a forma, desenhos, beijos, colagens.
a felicidade de abrir a caixa do correio e encontrá-las.
o tempo das cartas. tempo para escrever, reler, enviar, esperar a resposta.
embora alguns amigos fizessem cópias das cartas que enviavam (tô falando de voce, zé),
o lance era escrever, mandar e se perder.
a carta deixava de ser sua pra ser do outro.
nunca vi, mas os romances falavam em casai que brigavam e devolviam as cartas.
eu nao, nunca devolvi.
guardo nas caixas.
e os diários?
eram intimos. guardados a sete chaves.
eu escrevia para registrar a vida e as emoçoes.
mas também porque gostava de escrever e reler.
tenho dezenas, desde os 13 anos.
escrevi bastante até meu filho nascer, em 1996.
aos cinquenta anos, começo a pensar que o destino de tudo isso seja o lixo.
em momentos poliana, imagino uma neta ou bisneta que encontre as ciaxas da bisa e diga: que massa!
mas depois penso que nao.
ja vi mortes e desaparecimentos das memórias.
por indiferença ou nao querer sofrer lembrando, lá se vao os rastros.
entao resolvi escrever aqui aslgumas lembranças dos setenta que foram dez.
como na musica do bebeto alves.
ele e caio fernando abreu fizeram os anos setenta acontecer.
quando tudo era pra ser ditadura, marxismo, dor e repressao,
eles pautaram a vida, o prazer, a criaçao.
junto com ricky bols, nei lisboa, nei duclós, eduardo san martim, rose porto alegre, negra lú, magra jane, giba rocha, e muitos mais que surgirao nessas paginas.
serei discreta em relaçao a nomes.
mas quem quiser entrar na roda, pode entrar.
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